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DeclaraÇÃo DoutrinÁria da ConvenÇÃo Batista Brasileira |

Os discípulos de Jesus Cristo que vieram a ser designados pelo
nome "batista" se caracterizavam pela sua fidelidade às Escrituras e por isso só
recebiam em suas comunidades, como membros atuantes, pessoas convertidas pelo Espírito Santo
de Deus. Somente essas pessoas eram por eles batizadas e não reconheciam como válido
o batismo administrado na infância por qualquer grupo cristão, para eles, crianças
recém-nascidas não podiam ter consciência de pecado, regeneração,
fé e salvação. Para adotarem essas posições eles estavam bem
fundamentados nos Evangelhos e nos demais livros do Novo Testamento. A mesma fundamentação
tinham todas as outras doutrinas que professavam. Mas sua exigência de batismo sóde
convertidos é que mais chamou a atenção do povo e das autoridades, dai derivando
a designação "batista" que muitos supõem ser uma forma simplificada de "anabatista",
"aquele que batiza de novo".
A designação surgiu no século XVII, mas aqueles discípulos
de Jesus Cristo estavam espiritualmente ligados a todos os que, através dos séculos,
procuraram permanecer fiéis aos ensinamentos das Escrituras, repudiando, mesmo com risco
da própria vida, os acréscimos e corrupções de origem humana.
Caracterizam-se também os batistas pela intensa e ativa cooperação
entre suas igrejas. Não havendo nenhum poder que possa constranger a igreja local,
a não ser a vontade de Deus, manifestada através de se Santo Espírito,
os batistas, baseados nesse princípio da cooperação voluntária
das igrejas, realizam uma obra geral de missões - em que foram pioneiros entre os evangélicos
nos tempos modernos - de evangelização, de educação teológica,
religiosa e secular, de ação social e de beneficência. Para a execução
desses fins, organizam associações regionais e convenções estaduais e nacionais,
não tendo estas, no entanto, autoridade sobre as igrejas; devendo suas resoluções
ser entendidas como sugestões ou apelos.
Para os batistas, as Escrituras Sagradas, em particular o Novo Testamento,
constituem a única regra de fé e conduta, mas, de quando em quando, as circunstâncias
exigem que sejam feitas declarações doutrinárias que esclareçam
os espíritos, dissipem dúvidas e reafirmem posições. Cremos estar vivendo
um momento assim no Brasil, quando ema declaração desse tipo deve ser formulada, com
a exigência insubstituível de ser rigorosamente fundamentada na Palavra de Deus. É
o que faz agora a Convenção Batista Brasileira, nos 19 artigos que se seguem:
I - Escrituras Sagradas
II - Deus
III - O Homem
IV - O Pecado
V - Salvação
VI - Eleição
VII - Reino de Deus
VIII - Igreja
IX - O Batismo e a Ceia do Senhor
X - O Dia do Senhor
XI - Ministério da Palavra
XII - Mordomia
XIII - Evangelização e Missões
XIV - Educação Religiosa
XV - Liberdade Religiosa
XVI - Ordem Social
XVII - Família
XVIII - Morte
XIX - Justos e Ímpios

I - Escrituras Sagradas
A Bíblia é a Palavra
de Deus em linguagem humana.1 É o registro da revelação que
Deus fez de si mesmo aos homens.2 Sendo Deus seu verdadeiro autor, foi escrita por homens
inspirados e dirigidos pelo Espírito Santo.3 Tem por finalidade revelar os propósitos
de Deus, levar os pecadores à salvação, edificar os crentes, e promover
a glória de Deus.4 Seu conteúdo é a verdade, sem mescla de erro,
e por isso é um perfeito tesouro de instrução divina.5 Revela o destino
final do mundo e os critérios pelos quais Deus julgará todos os homens.6
A Bíblia é a autoridade única em matéria de religião, fiel padrão pelo
qual devem ser aferidas a doutrina e a conduta dos homens.7 Ela deve ser interpretada sempre à luz da pessoa
e dos ensinos de Jesus Cristo.8
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II - Deus
O único Deus vivo e verdadeiro é Espírito
pessoal, eterno, infinito e imutável; é onipotente, onisciente e onipresente; é
perfeito em santidade, justiça, verdade e amor.1 Ele é criador, sustentador,
redentor, juiz e senhor da história e do universo, que governa pelo seu poder, dispondo de
todas as coisas, de acordo com o seu eterno propósito e graça.2
Deus é infinito em santidade e em todas as demais perfeições.3
Por isso, a ele devemos todo o amor, culto e obediência.4 Em sua triunidade,
o eterno Deus se revela como Pai, Filho e Espírito Santo, pessoas distintas mas sem divisão
em sua essência.5
1. Deus Pai
Deus, como Criador, manifesta disposição
paternal para com todos os homens.6 Historicamente ele se revelou primeiro como
pai ao povo de Israel, que escolheu consoante os propósitos de sua graça.7
Ele é o Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, a quem enviou a este mundo para salvar os
pecadores e deles fazer filhos por adoção.8 Aqueles que aceitam a
Jesus Cristo e nele crêem são feitos filhos de Deus, nascidos pelo seu Espírito e,
assim, passam a tê-lo como Pai celestial, dele recebendo proteção e disciplina.9
2. Deus Filho
Jesus Cristo, um em essência com o Pai, é o
eterno Filho de Deus.10 Nele, por ele e para ele, foram criadas todas as coisas.11
Na plenitude dos tempos ele se fez carne, na pessoa real e histórica de Jesus Cristo,
gerado pelo Espírito Santo e nascido da virgem Maria, sendo, em sua pessoa, verdadeiro Deus
e verdadeiro homem.12 Jesus é a imagem expressa do seu Pai, a revelação
suprema de Deus ao homem.13 Ele honrou e cumpriu plenamente a lei divina e revelou e
obedeceu toda a vontade de Deus.14 Identificou-se perfeitamente com os homens, sofrendo o
castigo e expiando a culpa de nossos pecados, conquanto ele mesmo não tivesse pecado.15
Para salvar-nos do pecado, morreu na cruz, foi sepultado e ao terceiro
dia ressurgiu dentre os mortos e, depois de aparecer muitas vezes a seus discípulos, ascendeu
aos céus, onde à destra do Pai, exerce o seu eterno sumo sacerdócio.16
Jesus Cristo é o único Mediador entre Deus e os homens e o único e suficiente Salvador e Senhor.17
Pelo seu Espírito ele está presente e habita no coração de cada
crente e na igreja.18 Ele voltará visivelmente a este mundo em grande poder
e glória, para julgar os homens e consumar sua obra redentora.19
3. Deus Espírito Santo
O Espírito Santo, um em essência
com o Pai e com o Filho, é pessoa divina.20 É o Espírito da
Verdade.21 Atuou na criação do mundo e inspirou os homens a escreverem as
Sagradas Escrituras.22 Ele ilumina os homens e os capacita a compreenderem a verdade divina.23
No dia de Pentecostes, em cumprimento final da profecia e das promessas quanto à descida do
Espírito Santo, ele se manifestou de maneira singular e irrepetível, quando os primeiros
discípulos foram batizados no Espírito, passando a fazer parte do Corpo de Cristo
que é a Igreja. Suas outras manifestações, constantes no livro Atos dos
Apóstolos, confirmam a evidência de universalidade do Dom do Espírito Santo
a todos os que crêem em Cristo.24 O batismo no Espírito Santo sempre
ocorre quando os pecadores se convertem a Jesus Cristo, que os integra, regenerados pelo Espírito, à
Igreja.25 Ele dá testemunho de Jesus Cristo e o glorifica.26 Convence o mundo
do pecado, da justiça e do juízo.27 Opera a regeneração do pecador perdido28
Sela o crente para o dia da redençäo final.29 Habita no crente.30
Guia-o em toda a verdade.31 Capacita-o para obedecer à vontade de Deus.32
Distribui dons aos filhos de Deus para a edificação do Corpo de Cristo e para o
ministério da Igreja no mundo.33 Sua plenitude e seu fruto na vida de crente
constituem condições para a vida cristã vitoriosa e testemunhante.34
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III - O Homem
Por um ato especial, o homem foi criado por Deus à
sua imagem e conforme à sua semelhança e disso decorrem o seu valor e dignidade.1
Seu corpo foi feito do pó da terra e para o mesmo pó há de voltar.2
Seu espírito procede de Deus e para ele retornará.3 O criador ordenou que
o homem domine, desenvolva e guarde a obra criada.4 Criado para a glorificação de Deus.5
Seu propósito é amar, conhecer e estar em comunhão com seu Criador, bem como cumprir
sua divina vontade.6 Ser pessoal e espiritual, o homem tem capacidade de perceber, conhecer e compreender,
ainda que em parte, intelectual e experimentalmente, a verdade revelada, e tomar suas decisões
em matéria religiosa, sem a mediação, interferência ou imposição
de qualquer poder humano, seja civil ou religioso.7
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IV - O Pecado
No princípio o homem vivia em estado de
inocência e mantinha perfeita comunhão com Deus.1 Mas, cedendo à
tentação de Satanás, num ato livre de desobediência contra seu Criador, o homem
caiu no pecado e assim perdeu a comunhão com Deus e dele ficou separado.2 Em conseqüência
da queda de nossos primeiros pais, todos somos, por natureza, pecadores e inclinados à prática
do mal.3 Todo pecado é cometido contra Deus, sua pessoa, sua vontade e sua lei.4
Mas o mal praticado pelo homem atinge também o seu próximo.5 O pecado maior consiste em não
crer na pessoa de Cristo, o Filho de Deus, como Salvador pessoal.6 Como resultado do pecado, da incredulidade
e da desobediência do homem contra Deus, ele está sujeito à morte e à condenação
eterna, além de se tornar inimigo do próximo e da própria criação de Deus.7
Separado de Deus, o homem é absolutamente incapaz de salvar-se a si mesmo e assim depende da
graça de Deus para ser salvo.8
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V - Salvação
A salvação é outorgada por Deus pela sua
graça, mediante arrependimento do pecador e da sua fé em Jesus Cristo como único
Salvador e Senhor.1 O preço da redenção eterna do crente foi
pago de uma vez por Jesus Cristo, pelo derramamento do seu sangue na cruz.2 A
salvação é individual e significa a redenção do homem na inteireza
do seu ser.3 É um Dom gratuito que Deus oferece a todos os homens e que compreende
a regeneração, a justificação, a santificação e a
glorificação.4
A regeneração é o ato inicial da
salvação em que Deus faz nascer de novo o pecador perdido, dele fazendo uma nova criatura em
Cristo. É obra do Espírito Santo em que o pecador recebe o perdão, a justificação,
a adoção como filho de Deus, a vida eterna e o Dom do Espírito Santo. Nesse
ato o novo crente é batizado no Espírito Santo, é por ele selado para o dia da
redenção final, e é liberto do castigo eterno dos seus pecados.5
Há duas condições para o pecador ser regenerado: arrependimento e fé. O arrependimento
implica em mudança radical do homem interior, por força do que ele se afasta
do pecado e se volta para Deus. A fé é a confiança e aceitação
de Jesus Cristo como Salvador e a total entrega da personalidade a ele por parte do pecador.6
Nessa experiência de conversão o homem perdido é reconciliado com Deus, que lhe
concede perdão, justiça e paz.7
A justificação, que ocorre simultaneamente
com a regeneração, é o ato pelo qual Deus, considerando os méritos
do sacrifício de Cristo, absolve, no perdão, o homem de seus pecados e o declara justo,
capacitando-o para uma vida de retidão diante de Deus e de correção diante
dos homens.8 Essa graça é concedida não por causa de quaisquer obras
meritórias praticadas pelo homem mas por meio de sua fé em Cristo.9
A santificação é o processo
que, principiando na regeneração, leva o homem à realização
dos propósitos de Deus para a sua vida e o habilita a progredir em busca da perfeição
moral e espiritual de Jesus Cristo, mediante a presença e o poder do Espírito
Santo que nele habita.10 Ela ocorre na medida da dedicação do crente e se
manifesta através de um caráter marcado pela presença e pelo fruto do
Espírito, bem como por uma vida de testemunho fiel e serviço consagrado a Deus e
ao próximo.11
A glorificação é o
ponto culminante da obra da salvação.12 É o estado final,
permanente da felicidade dos que são redimidos pelo sangue de Cristo.13
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VI - Eleição
Eleição é a escolha feita por
Deus, em Cristo, desde a eternidade, de pessoas para a vida eterna, não por qualquer
mérito, mas segundo a riqueza da sua graça.1 Antes da criação
do mundo, Deus, no exercício da sua soberania divina e à luz de sua presciência
de todas as coisas, elegeu, chamou, predestinou, justificou e glorificou aqueles que, no correr dos tempos,
aceitariam livremente o Dom da salvação.2 Ainda que baseada na soberania
de Deus, essa eleição está em perfeita consonância com o livre-arbítrio
de cada um e de todos os homens.3 A salvação do crente é eterna.
Os salvos perseveram em Cristo e estão guardados pelo poder de Deus.4 Nenhuma
força ou circunstância tem poder para separar o crente do amor de Deus em Cristo
Jesus.5 O novo nascimento, o perdão, a justificação, a adoção
como filhos de Deus, a eleição e o Dom do Espírito Santo asseguram aos salvos
a permanência na graça da salvação.6
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VII - Reino de Deus
O reino de Deus é o domínio soberano e
universal de Deus e é eterno.1 É também o domínio de
Deus no coração dos homens que, voluntariamente, a ele se submetem pela fé,
aceitando-o como Senhor e Rei. É, assim, o reino invisível nos corações
regenerados, que opera no mundo e se manifesta pelo testemunho dos seus súditos.2
A consumação do reino ocorrerá com a volta de Jesus Cristo, em data que
só Deus conhece, quando o mal será completamente vencido e surgirão o novo
céu e a nova terra para a eterna habitação dos remidos com Deus.3
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VIII - Igreja
Igreja é uma congregação local de
pessoas regeneradas e batizadas após profissão de fé. É nesse sentido
que a palavra "igreja" é empregada no maior número de vezes nos livros do
Novo Testamento.1 Tais congregações são constituídas
por livre vontade dessas pessoas com a finalidade de prestarem culto a Deus, observando as ordenanças
de Jesus, meditarem nos ensinamentos da Bíblia para a edificação mútua
e para a propagação do evangelho.2 As igrejas neotestamentárias são
autônomas, têm governo democrático, praticam a disciplina e se regem em
todas as questões espirituais e doutrinárias exclusivamente pela Palavra de Deus, sob
a orientação do Espírito Santo.3 Há nas igreja, segundo
as Escrituras, duas espécies de oficiais: pastores e diáconos. As igrejas devem relacionar-se
com as demais igrejas da mesma fé e ordem e cooperar, voluntariamente, nas atividades do reino
de Deus. O relacionamento com outras entidades, quer sejam de natureza eclesiástica ou outra,
não deve envolver a violação da consciência ou o comprometimento da lealdade
a Cristo e sua Palavra. Cada igreja é um templo do Espírito Santo.4
Há também no Novo Testamento um outro sentido da palavra "igreja" em que ela
aparece como a reunião universal dos remidos de todos os tempos, estabelecida por Jesus Cristo
e sobre ele edificada, constituindo-se no corpo espiritual do Senhor, do qual ele mesmo é a
cabeça. Sua unidade é de natureza espiritual e se expressa pelo amor fraternal, pela harmonia
e cooperação voluntária na realização dos propósitos comuns
do reino de Deus.5
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IX - O Batismo e a Ceia de Senhor
O batismo e a ceia do Senhor são as duas
ordenanças da igreja estabelecidas pelo próprio Senhor Jesus Cristo, sendo ambas de
natureza simbólica.1 O batismo consiste na imersão do crente em
água, após sua pública profissão de fé em Jesus Cristo
como Salvador único, suficiente e pessoal.2 Simboliza a morte e o sepultamento
do velho homem e a ressurreição para uma nova vida em identificação
com a morte, sepultamento e ressurreição do Senhor Jesus Cristo e também
prenúncio da ressurreição dos remidos.3
O batismo, que é condição para ser membro de uma igreja, deve ser
ministrado sob a invocação do nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.4
A ceia do Senhor é uma cerimônia da igreja reunida, comemorativa e proclamadora da morte do
Senhor Jesus Cristo, simbolizada por meio dos elementos utilizados: o pão e o vinho.5
Nesse memorial o pão representa o seu corpo dado por nós no Calvário e
o vinho simboliza o seu sangue derramado.6 A ceia do Senhor deve ser celebrada pelas igrejas
até a volta de Cristo e sua celebração pressupõe o batismo bíblico
e o cuidadoso exame íntimo dos participantes.7
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X - O Dia do Senhor
O Domingo, dia do Senhor, é o dia do descanso cristão,
satisfazendo plenamente a exigência divina e a necessidade humana de um dia em sete para
o repouso do corpo e do espírito.1 Com o advento do cristianismo, o primeiro
dia da semana passou a ser o dia do Senhor, em virtude de haver Jesus ressuscitado nesse dia.2
Deve ser para os cristãos um dia de real repouso em que, pela freqüência aos
cultos nas igrejas e pelo maior tempo dedicado à oração, à leitura
bíblica e outras atividades religiosas eles estarão se preparando para "aquele descanso que
resta para o povo de Deus".3 Nesse dia os cristãos devem abster-se de todo
trabalho secular, excetuando aquele que seja imprescindível e indispensável à
vida da comunidade. Devem também abster-se de recreações que desviem a
atenção das atividades espirituais.4
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XI - Ministério da Palavra
Todos os crentes foram chamados por Deus para a salvação,
para o serviço cristão, para testemunhar de Jesus Cristo e promover o seu reino,
na medida dos talentos e dos dons concedidos pelo Espírito Santo.1 Entretanto, Deus
escolhe, chama e separa certos homens, de maneira especial, para o serviço distinto,
definido e singular do ministério da sua palavra.2 O pregador da Palavra é
um porta-voz de Deus entre os homens.3 Cabe-lhe missão semelhante àquela
realizada pelos profetas do Velho Testamento e pelos apóstolos do Novo Testamento, tendo o próprio
Jesus como exemplo e padrão supremo.4 A obra do porta-voz de Deus tem uma
finalidade dupla: a de proclamar as boas-novas aos perdidos e a de apascentar os salvos.5 Quando
um homem convertido dá evidências de ter sido chamado e separado por Deus para esse ministério,
e de possuir as qualificações estipuladas nas Escrituras para o seu exercício,
cabe à igreja local a responsabilidade de separá-lo, formal e publicamente, em reconhecimento da vocação
divina já existentes e verificada em sua experiência ristâ.6 Esse
ato solene de consagração é consumado quando os membros de um presbitério
ou concílio de pastores, convocados pela igreja, impõe as mãos sobre o
vocacionado.7 O ministro da Palavra deve dedicar-se totalmente à obra para a qual foi
chamado, dependendo em tudo do próprio Deus.8 O pregador do evangelho deve viver do
evangelho.9 Às igrejas cabe a responsabilidade de cuidar e sustentar adequada e dignamente seus
pastores.10
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XII - Mordomia
Mordomia é a doutrina bíblica que reconhece
Deus como Criador, Senhor e Dono de todas as coisas.1 Todas as bênçãos
temporais e espirituais procedem de Deus e por isso devem os homens a ele o que são
e possuem e, também, o sustento.2 O crente pertence a Deus porque Deus o criou
e o remiu em Jesus Cristo.3 Pertencendo a Deus, o crente é mordomo ou administrador da vida, das
aptidões, do tempo, dos bens, da influência, das oportunidades, da personalidade, dos recursos naturais
e de tudo o que Deus lhe confia em seu infinito amor, providência e sabedoria.4
Cabe ao crente o dever de viver e comunicar ao mundo o evangelho que recebeu de Deus.5
As Escrituras Sagradas ensinam que o plano específico de Deus para o sustento financeiro de sua
causa na entrega pelos crentes de dízimos e ofertas alçadas.6 Devem eles
trazer à igreja sua contribuição sistemática e proporcional com alegria e liberalidade,
para o sustento do ministério, das obras de evangelização, beneficência e
outras.7
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XIII - Evangelização e Missões
A missão primordial do povo de Deus é a evangelização
do mundo, visando a reconciliação do homem com Deus.1 É dever
de todo discípulo de Jesus Cristo e de todas as igrejas proclamar, pelo exemplo e pelas
palavras, a realidade do evangelho, procurando fazer novos discípulos de Jesus Cristo
em todas as nações, cabendo às igrejas batizá-los e ensiná-los
a observar todas as coisas que Jesus ordenou.2 A responsabilidade da evangelização
estende-se até aos confins da terra e por isso as igrejas devem promover a obra de missões,
rogando sempre ao Senhor que envie obreiros para a sua seara.3
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XIV - Educação Religiosa
O ministério docente da igreja, sob a égide
do Espírito Santo, compreende o relacionamento de Mestre e discípulo, entre Jesus Cristo
e o crente.1 A Palavra de Deus é o conteúdo essencial e fundamental nesse processo e
no programa de aprendizagem cristã.2 O programa de educação religiosa nas
igrejas é necessário para a instrução e o desenvolvimento de seus membros,
a fim de "crescerem em tudo naquele que é a cabeça, Cristo". Às igrejas cabe cuidar
do doutrinamento adequado dos crentes, visando sua formação e desenvolvimento espiritual, moral
e eclesiástico, bem como motivação e capacitação sua para o
serviço cristão e o desenvolvimento de suas tarefas no cumprimento da missão
da igreja no mundo.3
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XV - Liberdade Religiosa
Deus e somente Deus é o Senhor da consciência.1
A liberdade religiosa é um dos direitos fundamentais do homem, inerente à sua natureza
moral e espiritual.2 Por força dessa natureza, a liberdade religiosa não
deve sofrer ingerência de qualquer poder humano.3 Cada pessoa tem o direito de
cultuar a Deus, segundo os ditames de sua consciência, livre de coações de
qualquer espécie.4 A Igreja e o Estado devem estar separados por serem diferentes em
sua natureza, objetivos e funções.5 É dever do Estado garantir o pleno
gozo e exercício da liberdade religiosa, sem favorecimento a qualquer grupo ou credo.6
O Estado deve ser leigo e a Igreja livre. Reconhecendo que o governo do Estado é de ordenação
divina para o bem-estar dos cidadãos e a ordem justa da sociedade, é dever dos crentes orar
pelas autoridades, bem como respeitar e obedecer às leis e honrar os poderes constituídos,
exceto naquilo que se oponha à vontade e à lei de Deus.7
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XVI - Ordem Social
Como o sal da terra e a luz do mundo, o cristão
tem o dever de participar em todo esforço que tende ao bem comum da sociedade em que
vive.1 Entretanto, o maior benefício que pode prestar é anunciar a mensagem
do evangelho; o bem-estar social e o estabelecimento da justiça entre os homens dependem
basicamente da regeneração de cada pessoa e da prática dos princípios
do evangelho na vida individual e coletiva.2 Todavia, como cristãos, devemos estender a
mão de ajuda aos órfãos, às viúvas, aos anciãos, aos
enfermos e a outros necessitados, bem como a todos aqueles que forem vítimas de quaisquer
injustiça e opressões.3 Isso faremos no espírito de amor, jamais
apelando para quaisquer meios de violência ou discordantes das normas expostas no Novo Testamento.4
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XVII - Família
A família, criada por Deus para o bem do
homem, é a primeira instituição da sociedade. Sua base é o casamento
monogâmico e duradouro, por toda a vida, só podendo ser desfeito pela morte ou pela
infidelidade conjugal.1 O propósito imediato da família é glorificar
a Deus e prover a satisfação das necessidades humanas de comunhão, educação,
companheirismo, segurança, preservação da espécie e bem assim o perfeito
ajustamento da pessoa humana em todas as suas dimensões.2 Caída em
virtude do pecado, Deus provê para ela, mediante a fé em Cristo, a bênção
da salvação temporal e eterna, e quando salva poderá cumprir seus fins temporais e
promover a glória de Deus.3
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XVIII - Morte
Todos os homens são marcados pela finitude, de
vez que, em conseqüência do pecado, a morte se estende a todos.1 A Palavra
de Deus assegura a continuidade da consciência e da identidade pessoal após a morte,
bem como a necessidade de todos os homens aceitarem a graça de Deus em Cristo enquanto estão
neste mundo.2 Com a morte está definido o destino eterno de cada homem.3
Pela fé nos méritos do sacrifício substitutivo de Cristo na cruz, a morte do
crente deixa de ser tragédia, pois ela o transporta para um estado de completa e constante felicidade na
graça de Deus. A esse estado de felicidade as Escrituras chama "dormir no Senhor".4 Os
incrédulos inpenitentes entram, a partir da morte, num estado de separação definitiva de
Deus.5 Na Palavra de Deus encontramos claramente expressa a proibição divina da
busca de contato com os mortos, bem como a negação da eficácia de atos religiosos
com relação aos que já morreram.6
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XIX - Justos e Ímpios
Deus, no exercício da sua soberania, está
conduzindo o mundo e a história a seu termo final.1 Em cumprimento à sua
promessa, Jesus Cristo voltará a este mundo, pessoal e visivelmente, em grande poder e
glória.2 Os mortos em Cristo serão ressuscitados e os crentes ainda vivos juntamente
com eles serão transformados, arrebatados e se unirão ao Senhor.3 Os
mortos em Cristo também serão ressucistados.4 Conquanto os crentes já
estejam justificados pela fé, todos os homens comparecerão perante o tribunal de
Jesus Cristo para serem julgados, cada um segundo as suas obras, pois através destas é
que se manifestam os frutos da fé ou os da incredulidade.5 Os ímpios condenados
e destinados ao inferno lá sofrerão o castigo eterno, separados De Deus.6 Os
justos, com os corpos glorificados, receberão seus galardões e habitarão para
sempre no céu, como o Senhor.7
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